A Ação Através da Não-Ação

Introdução:

O universo é como se fosse um rio com uma correnteza que flui em uma direção, incessantemente. E essa correnteza leva tudo que se deixar levar, a tudo de bom que existe no universo, em infinita abundância. Essa é uma metáfora utilizada pelos Taoistas na tentativa de expressar como o fluxo universal funciona.

É uma estória interessante e por mais “bom demais para ser verdade” que pareça, é difícil não ficar fascinado pelas infinitas possibilidades que se acarretam com a probabilidade de isso ser verdade. Acontece que, como qualquer coisa na vida, o conhecimento intelectual deve passar por uma espécie de transformação para que de fato ele se torne sabedoria, sentimento. A partir daí então, a verdade é irrefutável para esse ser.

O “soltar” – o estado da arte:

Como disse o Dr. Lair Ribeiro em uma de suas palestras: “metas e objetivos devem ser vistos como probabilidades, não com expectativa”. Essa frase expressa muito bem o conceito do desapego aos resultados. Em outras palavras, se uma pessoa cria de certa forma uma expectativa em relação a sua meta ou objetivo, existe a possibilidade de ela inserir sentimentos negativos no processo de obtenção dessa meta ou objetivo, atrapalhando a si mesma, ou seja, se ela puser ansiedade, preocupação, nervosismo, etc., por consequência, ocorrerá uma interferência negativa no fluxo universal que resultará na limitação ou até na impedição da realização dessa meta ou objetivo.

Por outro lado, se essa pessoa “soltar” essa meta ou objetivo. Se ela tiver desapego em relação ao resultado. Em outras palavras, “se der certo, ótimo, se não der certo, ótimo”. Se essa pessoa tiver esse sentimento, ela estará em fluxo com o universo, e assim, com certeza absoluta, o melhor resultado ocorrerá. Lembrando que o melhor resultado é o melhor resultado que o Criador estabelecer, ou seja, o melhor para todas as criaturas envolvidas direta ou indiretamente no processo.

Assim, vendo a meta ou objetivo como uma probabilidade, não haverá uma interferência negativa por parte da pessoa, deixando-se então fluir com o universo e obtendo o melhor resultado possível, para todos os envolvidos. Também, se for desta forma, é impossível a pessoa se frustrar, preocupar, ou ter qualquer sentimento negativo em relação à meta ou objetivo, porque a pessoa não estará ligando nem um pouco para o resultado, mas, ao mesmo tempo ela estará fazendo o máximo possível para conquistá-lo.

A princípio passa-se a impressão de desleixo em relação à busca de metas e objetivos. Mas, é justamente o contrário, o “soltar”, a ação através na não-ação, o Wu Wei, o desapego aos resultados, é a maior e mais eficiente ação possível que um ser autoconsciente no universo pode fazer. É estar em total ressonância com o Próprio, e por consequência disto, o ser é abençoado com tudo o que lhe é merecido, ao máximo do que ele possa suportar.

É importante ressaltar que ao mesmo tempo em que se “solta” os resultados, os mesmos devem ser buscados com afinco. Em outras palavras, para que a ação através da não-ação funcione de fato, deve-se ter desapego aos resultados e ao mesmo tempo buscá-los, despendendo o máximo possível de tempo e energia para que isso ocorra, ou seja, trabalhar, levando-se em conta a atual capacidade do ser.

Uma frase: “aquele que deseja o nada, tem tudo o que deseja”. É praticamente um paradoxo, talvez difícil de entender, mas, que faz todo o sentido levando-se em consideração como o universo funciona. Como diz o Prof. Hélio Couto: “o soltar é o estado da arte”. E de fato isso é verdade, por se tratar de um sentimento, não de uma técnica mental que pode ser aplicada de qualquer forma, ou seja, tem que sentir o “soltar” para que ele tenha algum efeito na vida prática da pessoa.

 

Conclusão:

Para que se entenda a ação através da não-ação, mesmo, deve haver por parte do ser um total desapego as ilusões do ego. Em outras palavras, deixar de lado todos os pensamentos ilusórios e limitantes que possam surgir quando se reflete sobre o assunto. Preconceitos, tabus, isso é viagem na maionese, hipocrisias, olha o que esse maluco escreveu, etc.

A única a sair perdendo quando se critica ou se julga um determinado conhecimento que está sendo compartilhado, é a própria pessoa. Outra frase: “quanto maior a ignorância, maior a capacidade de criticar e/ou julgar”. Ignorância no sentido de não ter conhecimento sobre o assunto, e por consequência disto, não conseguir compreender o valor incomensurável do conhecimento que está sendo passado adiante, um total desperdício.

 

Fontes para estudo:

A ação através da não-ação é um conceito abstrato Taoista, milenar, transcendental. Pesquisar no Google: Taoismo. E estudar qualquer coisa relacionada a essa fascinante filosofia de vida oriental.

 

Ler: Tao Te Ching de Lao Tse – Tradução de Rafael Arrais. Custa dois pila na Amazon.com.br.

 

Professor Hélio Couto. Acesse esse site, cadastre-se, e assista à palestra: Zen Budismo e Taoismo. É de graça.

À eterna busca pelo tal crescimento exponencial infinito em todos os aspectos da consciência.

Sobre André Buzata Soares

À eterna busca pelo tal crescimento exponencial infinito em todos os aspectos da consciência.

Tags .Adicionar aos favoritos o Link permanente.

Deixe um comentário: